Quinta-feira, 13 de Março de 2008

Carping I





Apenas sabíamos que lá estaríamos. Nada conhecíamos um do outro, concebíamos apenas que ingressaríamos num jogo de nos reconhecermos passo a passo.

Era um espaço apinhado de gente, cada uma das pessoas movia-se para os seus afazeres, nunca prestei tanta atenção aos detalhes como naquele dia. Normalmente, nem sequer olhamos e circulamos atarefadamente. Naquele dia esmiucei todos os comportamentos das pessoas. Emoções e manifestações; visual e acessórios; gestos e olhar; tudo era investigado ao pormenor. Não sabia se eras aquele acolá ou aquele ali. Uma coisa sabia, ou residirias muito a vontade para me baralhares a descoberta ou nervoso pela situação. O mesmo aconteceria contigo. Tu eras mais comedido do que eu, isso eu tinha entendido, portanto o mais provável era eu dar mais nas vistas. Principiei a associar as tuas palavras e a tua voz à tua pessoa. Parecia que estava a construir um avatar num computador que eras tu na minha mente. Era dia de semana, por isso o mais plausível era vires vestido formalmente. Não poderias andar ligeiro senão não me descobririas. A tua idade eu sabia. Com isto consegui eliminar um grande número de homens. Não foi difícil, no meio daquela azáfama descobrir um homem mais calmo, mais atento e de roupa formal. Tinha-te descoberto, assim como tu.

São estes momentos de descoberta que nos atesta o pensamento e nos desenvolve o raciocínio. Não conseguimos deixar de pensar, analisar e deduzir. Uma excitação diferente, um jogo jogado no escuro, sem sequer sabermos quem é o adversário.

Acho que respiramos fundo e caminhamos um em direcção ao outro. Um calor circulou o meu corpo e o coração activou o seu ritmo. Só tínhamos que nos cruzar e tocar subtilmente sem que ninguém se apercebesse. À medida que adiantava no percurso e melhor alcançava a sua imagem mais excitabilidade e agitação se apoderava de mim. A pulsação cardíaca apressava à medida que se avizinhava o encontro, o suor começava a invadir a minha testa, a garganta secava e as mãos tremiam. Só pensava na forma como nos tocaríamos e o que isso provocaria. Naquele momento pretendia que o percurso fosse mais longo mas ansiava o cruzamento e o toque. Era nesse instante que poderia presenciar o seu visual, seriam escassos segundos para avaliar o olhar, os lábios e o sorriso.

Assim foi, em poucos segundos, captei o olhar engraçado o sorriso sedutor e os lábios tenuemente animados. O auge foi o toque das mãos como se alguém nos estivesse a tentar roubar algo. Se pudesse parar o momento descrevia-o como um instante arrebatado, arrepiante e muito estimulador à continuação do jogo.

Por saber que era proibido algo mais é que a adrenalina aumenta e a ansiedade cresce.

Ficamos com uma vontade louca de continuar o jogo porque sabemos que na fase seguinte haverá algo mais.

Não arranjei forma de olhar para trás, eram as regras! Não sei se ele olhou. Só sei que cinco minutos depois eu tinha uma mensagem no meu telemóvel: “Só me apetecia encostar-te à parede…e “. Eu respondi: “foder-me?

Aquela mensagem foi o catalizador para a continuação do jogo. Naquele dia não pensei em mais nada senão naquele instante captado e no suavizado toque. Cada vez que imaginava concebia a cena da mensagem, sexo. A vontade de sexo com aquele homem convertia-se numa obsessão, apenas o sexo interessava! Eu sabia que a próxima fase do jogo seria mais complexa porque o objectivo era a sedução ao som da própria musica, ainda num sítio público e sem alaridos.

foto: Bolero de Ravel
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publicado por dulci às 11:12
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Terça-feira, 11 de Março de 2008

Dogging





Mas afinal o que é o Dogging?

Já ouvi tanta coisa, até a definição, fazer sexo como os cães!

Traduzindo, dogging significa passear o cão, extrapolando passear o cão pode ser uma evasiva para a busca de aventura.

No contexto sexual, dogging é praticar sexo em locais públicos, no interior ou exterior dos carros ou até em espaços publicos. Participam casais ou singles que se expõem perante uma assistência. Esta pode ou não participar no acto sexual conforme as permissões ou não.

Existem muitos sinais para a autorização ou início do “espectáculo”, acordos feitos através da net,  mensagens telefónicas ou sinais in loco (acender a luz interior do carro para inicio do show, ou abrir a janela para autorizar a participação, entre outros).

O que faz estar na moda? Apenas a abertura para falar do assunto e consequentemente o conhecimento suficiente para criar a curiosidade e experimentar. Não me parece que seja, de todo, uma moda mas sim uma vontade desde sempre aceite por um grande número de pessoas.

Não penso que o dogging seja mais do que voyeurismo e exibicionismo consentidos em locais públicos, situações casuais que sempre existirem e que actualmente se tornaram planeadas e consentidas.

Existe uma diferença, antes eram mirones tarados e ninguém aceitava que….até tinham gostado, tornando-se na maioria das vezes vitimas, hoje as revistas debatem o assunto publicamente, a net ajusta artigos que elucidam, existe um código de conduta e nós, como sempre, vamos atrás de tudo e admitimos também

O que está de novo nesta forma alternativa de sexo? Não consigo ver nada! Apenas uma forma de prazer sempre sentida mas reprimida e que agora porque os outros aceitam nós aceitamos também e arriscamos!

Os alertas para a saúde publica também motivam o debate do assunto mas não consigo perceber qual a diferença entre esta actividade e as outras já que os perigos que se correm (DST) são os mesmos.

Lol e depois dizemos que somos modernos!  

Se falássemos em toothing,  ainda vá que não vá mas isto ficará para outro dia. Não vá aparecer a mensagem no meu telemóvel: "Toothing?"

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