Naquele sítio, tudo era alheado à vida própria e profissional de cada um. Os assuntos de conversa alternavam dentro de padrões habituais da vida social. A imagem de cada um difundia-se numa demonstração sensual e os olhares vadiavam pelos corpos, minimamente vestidos, sem qualquer inquietação. A afabilidade era comum e sem recriminações. A ornamentação propalava-se por motes sensuais e os lugares eram divididos por motivações e interesses. Uma sala de dança admitia um varão para os mais audazes e um bar abastecia todas as bebidas essenciais ao amortecimento do calor. Apesar de absoluto Inverno, o aquecimento consentia que as roupas e ambiente ditassem um dia de verão.
Naquele espaço era impossível não sentir a carência de sexo. O fervor, a figuração das pessoas, a decoração, as comodidades, tudo estimulava o envolvimento. A música espevitava os movimentos corporais e a simpatia e trivialidade com que as pessoas se disputavam com as imagens de sensualidade possibilitavam-nos a audácia imprescindível para qualquer relacionamento sexual. Naquele ambiente, o pudor que, geralmente, sentimos quando nos desguarnecemos de alguma roupa não era vivido. A moderada iluminação e a atmosfera cooperavam na docilidade de residirmos descobertos.
O à-vontade com que cursamos um sitio daqueles intensifica todos os nossos desejos e quimeras até então ocultas. Subsiste um sítio para todos os prazeres. O valor daquele local era mesmo a tranquilidade com que podíamos actuar nos envolvimentos sexuais. Sem apreensões com o parceiro pela traição, descontraídos pela reacção das outras pessoas, livres de todos os preconceitos e com a liberdade total para agir.
Depois de percorrermos e indagarmos todo aquele ambiente o frenesim assenhoreou-se de nós. Após uns copos o calor estreou a ascender aos nossos corpos e um beijo foi o bastante para afoguear o desejo de sexo. Cada canto daquele espaço estimulava uma ligação, senti o sexo do meu companheiro a desabrochar e a respiração acelerar. O meu corpo suplicou por mais estímulos e os abraços e toques expandiram-se na presença de todas as pessoas. Uma estranha mas maravilhosa sensação de estar disponível ao olhar de todos sucedeu-se quando progredimos nos toques e feitos sensuais e acelerámos nas mais penetrantes sagacidades.
Só intervalamos para eleger o local que mais nos satisfaria. Uma sala com uma enorme cama rodeada de sofás dispunha-se num ambiente quente e de pouca luz. No tecto cintilavam estrelas que reluziam no escuro. A cama estava protegida por um tecido a simular a pele e as almofadas superabundavam. As portas estavam abertas. As pintas da minha saia e o meu relógio brancos, os dentes e as unhas reluziam sobre o efeito da luz negra.
Apenas um casal comedido se avistava na cama. Vestidos e sobre aquele tecido negro que fixava ao corpo, deitei-me com o meu companheiro e abraçamo-nos. Um beijo iniciou uma das relações que perdurariam para o resto da nossa vida. Deitada, presenciei aquele tecto cintilante e percebi as mãos do meu parceiro a desvendarem o meu íntimo. A mini-saia subiu e as suas mãos esquivaram sobre as minhas meias de liga até ao interior das minhas calcinhas lascivas. Apreendi o olhar das pessoas que visualizavam aquele espaço, afigurei os seus olhares sobre a minha saia levantada, as minhas meias de liga negras e as cuecas minúsculas a deslindarem as nádegas. O meu companheiro massajava o meu íntimo em consonância com as ternuras e beijos.
Com a instigação que embargava acelerei a respiração e rompi a enunciar alguns gemidos, sinais que espicaçaram outros casais a principiarem uma relação. Os gemidos proliferaram e a visualização de pessoas, em cima da cama, a despojarem-se da roupa ampliou. O meu parceiro estava impetuoso, decidi fazer sexo oral e com as suas mãos a ameigarem o meu cabelo absorvi o seu sexo em movimentos ascendentes e descendentes. A rigidez do seu sexo era como nunca tinha enfrentado, toda a ambiência o exasperava. Não eram forçosas demasiadas meiguices, o ambiente, o exibicionismo e o voyeurismo eram os estimuladores da excitação. Reparei na instigação que o meu amor detinha com a visualização das pessoas que presenciavam. Os seus olhos fulgiam e retinham-se abertos e atenciosos a quem entrava e vigiava e a quem se mantinha a fazer sexo. Comigo a exaltação activava pela exposição que criava para as outras pessoas.
Nada nos acanhava, cada vez que alguém contemplava, o meu parceiro aumentava o seu entusiasmo e eu acolhia uma autoconfiança que jamais apreciara. Excitava-me saber que outras pessoas se estimulavam com a nossa representação mas também me agitava observar os outros casais a comporem actos de sexo. Apesar de ambos revelarmos grado pelo exibicionismo e voyeurismo tínhamos mais propensão para o exibicionismo. Não me excitavam as pessoas despidas, instigavam-me os gemidos e o deslindar do desnudar. Eram a curiosidade e a criatividade de cada acto para desvendar os corpos que me afogueavam.
Residíamos demasiado excitados para persistirmos. O apogeu não se conseguia reter por muito mais tempo, não dependia de nós como quando estávamos sozinhos. Ali, submetia-se também aos outros gemidos e às outras observações e a plateia não auxiliava a que alongássemos por muito mais tempo. Tudo cooperava para um culminar empolgante. Apesar de desejarmos, a excitação era tal que não conseguíamos comandar. Apenas com uns exercícios de penetração, compreendi as palavras de sinal do meu parceiro e a incursão do seu auge no meu interior. Findamos desposados, numa audiência de gemidos excepcional e incessante aclamada pelas outras pessoas a continuarem as suas fantasias.
As promessas de progresso para uma próxima vez foram, desde logo, anunciadas e aceites. A revelação mútua da experiência aclamou os tempos seguintes e a serenidade com que vivemos a nossa relação foi incontestável. Aos quarenta anos assistíamos a sensações só cotejáveis com a adolescência. O voyeurismo e exibicionismo já experimentados a solo tinham sido, nessa noite, encarados por assistência. Uma experiência que mudaria as nossas vidas.
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