Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Masoquismo/submissão

 

 

 

Naquele dia, o céu estava escuro, com nuvens e vento. Poderíamos dizer que tudo era prenúncio do que iria acontecer.

O dia tinha sido ameno e determinei deambular um pouco pelo jardim, estava escuro, apesar de serem 6h da tarde, era Inverno e o tempo enegrecia mais rapidamente.

Sentei-me num banco de jardim a admirar as pessoas que sucediam apressadamente para a regularidade das suas vidas. Sempre me havia feito confusão este afogo e banalidade que as pessoas apõem no formato de vida. Nunca descontinuam, nunca contemplam, enfim nunca vivem, apenas existem. Noutro banco, um homem fazia o mesmo. Não foi no seu visual que reparei, foi sim na reprodução que me difundiu. Um homem austero, frígido e versado no que queria.

Apesar de passar os olhos por tudo o que me encarava a minha visão estacou nos seus olhos quando observei o seu olhar e aferi que ele, identicamente, olhava para mim.

Contrariamente ao que fiz, ele não apartou o seu olhar e permaneceu a olhar-me fixamente. Não posso dizer que isso não me tenha apoquentado pois estaria a mentir, posso até dizer que me despertou um certo regozijo. O medo que sentimos quando alguém nos aborda com um simples olhar transforma-se em exaltação e faz criar em nós uma inquietação em saber o que estará por trás daquele olhar e daquela ambiguidade.

Não delongou muito até se levantar e  sentar a meu lado, no banco de jardim.

As abordagens de um homem para com uma mulher podem ser de muitas formas mas esta foi peculiar. Simplesmente me disse para o acompanhar, aprisionando-me o braço e obrigando-me a levantar. Nunca percebi porque não tinha resistido e imposto a minha vontade, penso agora que talvez fosse por isso mesmo, por não ser a minha vontade.

O propósito de algo do qual nada sabemos, a perturbação de saber o que se irá a passar e o receio da incerteza estimulam na nossa mente um alvoroço indubitável.

Com o corpo a tremer, acompanhei-o sem qualquer hesitação, algo me dizia que o perigo que corria podia ser cativante e provocante. O seu olhar era fixo e o seu corpo meneava-se com exactidão e firmeza. Entramos para o carro dele, estacionado, mesmo ao lado do jardim e com uma simples frase disse-me que íamos para um sítio especial. Aqui subsisti e proferi que não queria ir, rapidamente me respondeu que nada me havia questionado e apenas me estava a dar conhecimento do local para onde iríamos.

As palavras foram reduzidas e o trajecto parecia ser extenso demais para quem ansiava descortinar o que iria suceder. É obvio que não aguardaria nada divergente de um relacionamento sexual, mas de que forma e porque teria eu aceite com tanta facilidade uma ordem nunca antes recebida.

Chegamos a um local, onde uma casa antiga se distinguiu, e sem qualquer objecção segui-o. Uma casa um pouco deteriorada, a decoração era anacrónica, o castanho da madeira e negro dos tecidos prevalecia sobre todos os espaços e o vermelho escuro da pintura e a pouca iluminação misturavam-se num simbolismo bárbaro.

Um quarto imensamente recheado, com pouca iluminação e com o mesmo sentimento insípido da restante casa aguardava-nos. Ainda não tinha colocado a carteira em cima da cama quando, com rispidez, me mandou despir. Envergonhadamente e sem qualquer represália fui-me despindo, vagarosamente e a estremecer. Ele não estimou a minha dubiedade e com uma voz arrogante e dura disse-me para me despachar. Aligeirei-me e rapidamente visionei-o sentado no sofá do quarto. Aqui, amedrontei pois encontrava-me à mercê do seu olhar. Não sabia como me comportar nem que postura havia de ter. Ele não abdicou de nada para eu decidir, ele determinou tudo e o que se fazia era o que ele mandava. Ele mandava e eu apenas acatava. Talvez por, na minha vida, nunca ter adoptado esse papel tornou-se mais atractivo pois experimentava impressões recentes e discrepantes. Disse-me para dançar mas a minha habilidade era escassa e o meu corpo desastrado para aquilo, no entanto não consegui denegar a ordem e acedi ao que me tinha sido ordenado. A minha humilhação e a minha exposição estavam a colocar-me maníaca. Senti que ele me estava a ridiculizar e o mais invulgar é que isso me estava a dar prazer. Sentado no sofá ordenou que me deitasse no chão e rasteasse até ele. Não consigo perceber como fiz aquilo mas fiz e fui até ele sentindo o álgido e escabroso chão. Quando me aproximei dele senti as suas mãos fortes e frígidas a aprisionar o meu cabelo e a levantar-me a cabeça, vi então os seus olhos e os seus lábios, eram conjuntamente belos, ríspidos e inócuos. 

Quando olhei para ele, sentindo os meus cabelos amarrados na sua mão olhei a sua expressão a ordenar-me para lhe chupar o membro. De instantâneo aderi à sua ordem e consumi o seu sexo à medida que sentia a sua mão impulsionar e esticar o meu cabelo. Mas foi rápida esta acção, levantou-se,  atirou-me para a cama e tapou-me os olhos. Exposta durante segundos escondi com as mãos  o sexo e os seios. Foram apenas segundos até que, fortemente, pressionou-me sobre a cama, acorrentou as minhas mãos  e amarrou os meus pés. A sensação de exibição com que ficamos quando nos deparamos nus, de braços e pernas encetados e com os olhos vedados é exclusiva e inenarrável. Sentimo-nos acabrunhados e expostos mas com um gozo e uma agonia apaziguadora.

Após aquela exposição e sem nada ver ou tactear pressagiei o seu odor e a sua imediação. Não me tacteou nem se acostou a mim, senti algo a percorrer o meu sexo, um objecto arrefecido e lancinante, apercebi-me então que era uma lâmina e me estava a depilar a vagina. Simultânea e imperturbavelmente, junto ao acto de depilar ia proferindo palavras obscenas a afoitar a ideia de que não estava contente comigo. Nunca havia sentido tão eminente sensação. O mesclado de perigo, exibição e sujeição provocou em mim estremeções de prazer que a qualquer momento poderiam incitar a qualquer incisão mas era isso que ele queria. Que o prazer fosse controlado e retardado pelo medo. Após o término deste acto deixou-me ali exposta durante alguns momentos sem qualquer palavra proferir, não sabia o que se estava a passar, ausente de som e tacto senti-me espalhada com temor que algo acontecesse de invulgar. De novo apercebi-me da sua presença mas desta vez senti um objecto comprido e fino a passear pelo meu corpo e percebi que era um cinto. O meu coração acelerou pois apercebi-me que o meu corpo ia sentir a solidez, a resistência e secura daquele cinto de pele vigorosa e maleável a esboçar as minhas pernas. Foram leves de início, percorreu as pernas, a barriga e os seios. Ouvi depois ordenar-me que me virasse mas eu não conseguia, estava presa e disse que não me era permitido. Ele disse-me para me desenrascar, que o problema era meu e queria-me de costas. Com dificuldade cruzei as mãos e os pés presos ficando com pernas e mãos cruzadas e sentindo o meu corpo ainda mais esticado e hirto. Fiquei a sua mercê, exposta àquele objecto que sabia que me iria demarcar o corpo e senti o primeiro embate nas nádegas. O calor e a dor foram suportáveis de início mas à medida que as pancadas eram mais precisas e fortes a dor provocou um calor imedível e o prazer começou a aumentar gradualmente até quase sentir um orgasmo. Senti os choques nas nádegas até ficarem a abrasar e quase ficar em êxtase. Quando terminou, deitou-se sobre a minha pele a lacerar e proferindo palavras impúdicas trespassou o ânus sem qualquer cautela ou afabilidade de forma impetuosa e dura. O seu pénis percorreu nos dois sentidos o meu ânus, com presteza e justeza, durante minutos sem sequer me conseguir mover ou queixar já que tinha a boca cerrada para não revelar qualquer som. A dor e a audição das palavras ordinárias eram torturantes e desprezíveis mas sincronicamente eram excitadoras e aprazíveis.

A dor das bordoadas e a da penetração pôs-me em êxtase.

Não quis que ficasse por ali e ordenou-me que me desamarrasse para chupar novamente o seu pénis. Era difícil, agora, estava com os braços entrelaçados e presos, já extenuada tentei mas não consegui e apercebi-me de que, novamente, ele tinha o cinto. Percebi que, enquanto não fizesse o que ele me havia mandado, não pararia de estender o cinto no meu corpo. Ele era quem mandava e eu tinha que o aprazer. Senti de novo o vergastão e o calor a percorrer-me o físico. Eu queria ficar aposta a sentir o cinto mas sabia que isso não cessaria enquanto não fizesse o que ele havia mandado. Com mais ou menos jeito e com luta consegui desprender-me e ficar solta. Pensava eu que já poderia fazer o que tanto desejava, satisfaze-lo, mas isso não sucedeu. Após a minha soltura mandou-me deitar no sofá. Fiquei decepcionada, pois queria continuar aquele jogo que tanto prazer me estava a incitar. O meu corpo estava marcado com vermelhões que flagravam com o tecido do canapé acelerando mais a ardência. Fiz tudo que ele quis enquanto ele me olhava de cima a baixo fixamente. Quando terminei disse-me para me prostrar à sua frente e assim fiz, ajoelhei-me e lambi o seu pénis firme. As suas mãos empurravam a minha cabeça em movimentos fortes e impassíveis. Levantou-se, estirou os meus cabelos para perto da cabeça dele, beijou-me intensamente, encostou-me à parede com energia e exactidão e penetrou-me a vagina macia e limpa. Uma sensação de deslizamento e macieza invadiu o meu sexo à medida que ele fortemente fazia investidas compassadas e ferozes. O meu corpo ardia por todos os lados e num ápice nos sentimos em êxtase como nunca nos havíamos sentido. Ele pegou em mim levou-me para a cama e pela primeira vez, naquela noite, me acariciou e disse: - Olá querida. .

 

 

foto: www.glamurno.com

publicado por dulci às 21:30
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